A Araucária

Essa história é longa, mas vou tentar resumir. O mundo que conhecemos hoje, já foi bem diferente no passado, as primeiras formas de vida (biótica) surgiram há aproximadamente 800 milhões de anos, no período geológico que a atmosfera era redutora, isto é, o oxigênio era ausente. Após 300 milhões de anos as primeiras algas diversificadas iniciaram a história do reino vegetal, o que contribuiu com a liberação de uma substância que era ausente no planeta, o oxigênio. Foram 60 milhões de anos (aproximadamente) de incremento, até que houve a primeira extinção em massa ao final do período Ordoviciano. Assim, animais e vegetais continuaram suas transformações e evoluções até que há 200 milhões de anos, os primeiros ancestrais das gimnospermas atuais dominaram o supercontinente Pangeia, na mesma Era Geológica dos primeiros dinossauros (FUTUYMA, 2002).


Atualmente, as gimnospermas são mais abundantes e diversas nas regiões frias do Hemisfério Norte, entretanto, 3% da diversidade mundial de gimnospermas, ocorrem no Brasil, um país tropical. As nacionais são distribuídas em cinco famílias, dentre elas, Araucariaceae, que é considerada uma das mais primitivas coníferas com representantes vivos e seus ancestrais surgiram após a maior e mais importante extinção massiva que já ocorreu no planeta (FUTUYMA, 2002; FONSECA et al. 2009; SOUZA, 2019). 


Dutra & Stranz (2009) apresentam a classificação da família Araucariaceae, o gênero Wollemia é monoespecífico, isto é, tem apenas uma espécie W. nobilis e suas populações naturais são restritas ao sudeste Australiano. Já Agathis, tem origem na região biogeográfica Australásia e possui 13 espécies, cinco destas são endêmicas da Nova Caledônia e algumas espécies chegam a viver a mais de 3.000 metros de altitude na Malásia. O grupo Araucaria compreende o gênero com maior riqueza da família que também, apresenta ampla ocorrência. Autores reconhecem 18 espécies (revisão mais recente de 1990), sendo 13 restritas a Nova Caledônia e duas a América do Sul.
 

O Brasil, 

O Brasil resguarda florestas com a espécie Araucaria angustifolia, popularmente denominada, pinheiro-do-Paraná. Sua origem, evolução e dispersão, geram debates fervorosos no meio acadêmico, mas vale ressaltar aqui que a expansão do gênero foi durante o Cretáceo (há 144 milhões de anos), no Continente Gondwana.

Enfim, até o século XIX as florestas brasileiras com Araucaria angustifolia ocupavam no mínimo 200.000km², a maior parte cobria o estado do Paraná (119.300km²), seguido por Santa Catarina (60.000km²) e norte do Rio Grande do Sul (19.553km²), refúgios em menores proporções (1.147km²) estavam nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Para maior compreensão ou para gerar mais dúvidas, sugiro o livro: Floresta com Araucária, FONSECA et al. (2009).


Atualmente, as Florestas com Araucárias Brasileiras estão sob o domínio do Bioma Mata Atlântica, que abriga uma diversidade incrível de Fitofisionomias, como as Florestas Ombrófilas Densa (sempre verde) e Mista (com conífera), Florestas Estacionais (mata de interior), Cerrados (savanas), Campos Naturais e Áreas de Tensão Ecológica, que são as zonas de transições entre tais fisionomias vegetais.

Foto: Rita de Cássia Sousa (2019) - Florestas com Araucárias e Campos Naturais, os remanescentes da Serra da Mantiqueira no Parque Estadual de Campos do Jordão, SP.    

São milhões de anos

de evolução e com apenas 100 anos de exploração indiscriminada, quase exaurimos um sistema complexo. No início da primeira Guerra Mundial, calculava-se que o Paraná possuía reservas de pinheiros para mais de 350 anos, entretanto, o número de serrarias multiplicou-se e a ocupação humana foi desordenada, essa combinação elevou as supressões das florestas com araucárias até o cenário atual de sua distribuição.

 
As pressões continuam, seja pela carência de políticas públicas sustentáveis, ou pela especulação imobiliária, pelo turismo predatório, a coleta desmedida da semente para consumo, dentre vários outros fatores ameaçam a preservação dessas relíquias naturais: os pinheirais. O sudeste brasileiro ainda reserva fragmentos com araucárias em bom estado de conservação, como a região da Serra da Mantiqueira.

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